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Treino em Altitude
Por Bikemagazine.com.br
Publicada: 10/12/2009
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A OCE Treine.net, empresa mineira do ciclista e treinador Hugo Prado Neto é pioneira no Brasil no protocolo de treinamento em tendas que simulam a altitude.

A empresa, que utiliza há mais de 10 anos avançados medidores de potência como principal ferramenta no treinamento de seus atletas, é a primeira no país na elaboração de protocolos de treinamento em tendas que simulam altitude. Hugo Prado Neto acumulou experiências e estudos com a tenda por mais de um década.

Hugo foi acompanhado e instruído de perto por um de seus principais mentores na carreira como atleta e técnico, o experiente Dean Golich, que tem uma carreira de técnico recheada de vitórias em campeonatos mundiais e algumas medalhas olímpicas.

Confira a entrevista de Hugo Prado Neto concedida a Laura Baeta sobre treinamento em altitude, disponível agora no Brasil.

Qual foi o seu primeiro contato com o treinamento em altitude?

Em 2000, estudando na Universidade da Flórida, tive as primeiras lições sobre treinamento em altitude dentro da sala de aula. Aprendi o básico e os variados protocolos de como manipular o treinamento em altitude.

Quando me formei, em 2000, consegui um estágio na Carmichael Training Systems (CTS) no Colorado, empresa do técnico do Lance Armstrong. Lá entrei num mundo mágico para quem gosta de treinamento e alta performance. Me vi dentro de um escritório em que o serviço número um era fazer seus atletas voarem, vencerem as Olimpíadas, serem campeões mundiais.

Trabalhávamos 24 horas por dia em busca de ferramentas para fazer nossos atletas melhorarem. Me vi envolvido com pessoas referências em treinamento esportivo como Chris Carmichael, Ed Burke (um dos fisiologistas e pesquisadores mais renomados do mundo), Dean Golich, mestre em treinamento de potência, entre outros.

Além disso, nossa carteira de atletas incluia campeões mundiais e campeões olímpicos. Com isso eu podia ver exatamente o que os melhores técnicos do mundo prescreviam e o que os melhores atletas do mundo faziam. Era um prato cheio.

Na cidade onde morei, Colorado Springs, fica localizado o centro olímpico dos Estados Unidos. Então, os atletas olímpicos estavam ali presentes e qualquer novidade em treinamento esportivo ou nova técnica a gente descobria e muitas vezes nós, do CTS, é que havíamos desenvolvido a nova ferramenta para esses atletas.

Outro detalhe é que eu já era ciclista profissional na época e a cidade fica a 2 mil metros sobre o nível do mar e tem vários picos altos em volta da região. Pude então sentir na pele o que um treinamento em altitude pode fazer, quais são os sintomas e fui me aprimorando automaticamente no assunto.

Como funciona e como é a tenda de altitude?

A tenda de altitude que temos é da empresa Colorado Altitude Training, pioneira no assunto de simulação de altitude. Ela é basicamente uma tenda de acampamento com laterais de plástico transparente e vários zíperes para o controle da entrada de ar vinda de um motor que, propositalmente, envia o ar com uma porcentagem de nitrogênio maior que o normal, simulando assim a altitude.

Dentro da tenda há um medidor de porcentagem de oxigênio no ar e, por meio de uma tabela, podemos concluir a altitude que estamos. Por exemplo: se o atleta está efetuando o treinamento na tenda no Rio de Janeiro em seu apartamento (0m de altitude) um percentual de O2 de 16.55 equivaleria a 2.060 metros de altitude.

Existe um protocolo definido?

Não existe um protocolo definido, até porque o treinamento em altitude provoca resultados variados em cada indivíduo. Mas existe um consenso geral entre os cientistas, técnicos e atletas. Por não ter um protocolo definido e não ser exatamente uma receita de bolo, o treinamento em altitude, a meu ver, é uma das ferramentas mais difíceis de manipular e prescrever corretamente no mundo da alta performance.

Mas já se tem uma noção. Por exemplo: que a melhoria em geral é de um a três por cento em atletas de ponta. Se você é um triatleta de longa distância, um maratonista ou um ciclista o valor de 1 a 3% pode representar a diferença entre o décimo colocado e o campeão.

Outro consenso é a altitude correta para o alto rendimento em esportes de resistência e esse valor está por volta de 1.900-2.800m de altitude sobre o nível do mar.

Quais os parâmetros para analisar os resultados?

Aí que entra outra parte bastante complicada. Os parâmetros numéricos são feitos por meio de análises semanais de sangue, mas não é tão simples como ver o valor aumentar, por exemplo, dos hematócritos.

Muitas variáveis podem contribuir para o aumento ou diminuição desse valor, sendo totalmente externo ao treinamento na tenda de altitude. Por isso tem que cruzar os números e observar o número de hemácias, o tamanho das células vermelhas, seu volume, e o número de células vermelhas maduras, que são as células produzidas pelo estímulo. A fase de treino do atleta, nível de hidratação, perda ou não de peso são apenas outros exemplos de detalhes a serem observados e jogados na equação final.

Existe o que eu nominei de “valores ocultos”. Por exemplo: o atleta me envia o hemograma da semana e vejo que o hematócrito diminuiu e estávamos esperando ansiosamente por um aumento. Acontece que uma adaptação positiva do treinamento aeróbico é o aumento da parte plasmática do sangue, a parte líquida.

O aumento do volume plasmático do sangue faz com que o percentual de hematócrito diminua ou esteja diluído dando um valor baixo para as células vermelhas. Isso seria um valor oculto, pois o valor negativo significa na verdade uma adaptação positiva.

Qual a vantagem de atletas amadores utilizarem um método tão complicado e sofisticado?

O treinamento em altitude que disponibilizo no Brasil foi e será usado tanto para atletas profissionais que buscam uma mínima margem de vantagem quanto para atletas amadores.

Os atletas amadores têm total direito de usufruir e ter a experiência de treinarem como profissionais, de melhorarem a performance de maneira legal e sentirem o gostinho do alto rendimento.

No Brasil, a mentalidade sempre foi: eu não sou profissional, então eu não preciso de treinamento especializado, eu não preciso de um bike fit e por aí vai.

Uma das principais missões da OCE-treine.net é abolir esse pensamento errôneo e negativo. A minha opinião é que se você gosta, faça direito.

O ser humano quer melhorar a cada dia, então acho natural estarmos sempre buscando o melhor e melhorar com novas técnicas.

Por exemplo, o Guilherme Ballesteros é um cirurgião ortopedista superrenomado e apaixonado por ciclismo e ele já fez o uso do treinamento em altitude e a cada semana os resultados dos exames aumentavam.

Digamos que o treinamento em altitude nele não tivesse trago um benefício fisiológico, mas só do atleta estar sendo totalmente monitorado, a motivação dele cresce e toma outra proporção. E fica sempre aquele sentimento bom de um pessoa disciplinada e de sucesso: fiz tudo que tinha que fazer para me dar bem.

O resultado na área profissional também é nítido para esses atletas amadores. Geralmente os resultados são sempre positivos. No caso do Ballesteros, de iniciante no ciclismo, ele se tornou campeão brasileiro na categoria Master da modalidade e é o brasileiro, até hoje, com a melhor colocação no L´Etape do Tour de France.

Outro atleta OCE acabou de ficar cinco semanas na tenda e os resultados numéricos de hemograma foram excelentes e seus tempos e potências nos treinos só aumentaram até a fase de polimento para sua última competição, o Triathlon Long Distance de Pirassununga.

Quanto você acha que ele ganhou de confiança e vontade de acelerar na próxima prova? Isso não tem preço. Acredito que o valor desse investimento não seja palpável.

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